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José de Arimatéia - Um Exemplo a Ser Seguido

15:43:00Marco Cicco



“E um certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo (que não tinha consentido na decisão e na ação dos outros), natural de Arimateia, na Judeia, e que esperava o reino de Deus, procurou a Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus.Então, tirando-o do madeiro, o envolveu num lençol de linho e colocou num sepulcro cavado em rocha, onde ninguém havia sido sepultado. Era o dia da preparação, e o sábado estava para começar.” (Lucas 23.50-54)


Neste estudo, tenho por objetivo apresentar alguns fatos e características sobre este homem, José de Arimateia. A Bíblia não nos relata muito sobre sua vida, família, ofício ou quaisquer outros traços além dos apresentados nestes versículos acima expostos - já que só o evangelho de Lucas cita, de forma mais detalhada, esta passagem “pós-crucificação” de Jesus.

Porém, ainda que o médico tenha sido o único escritor bíblico a nos entregar este relato, tais versículos já nos são suficientes para entender algumas verdades presentes na realidade deste “homem bom e justo” que devemos aplicar no nosso dia a dia.

Em primeiro lugar, gostaria de frisar exatamente estas duas características apresentadas logo no começo do texto: ele era um homem “bom e justo”. O judaísmo é, em termos de “moral”, baseado em três pilares que devem ser observados por quaisquer praticantes da devida religião, a saber a Torá, as boas obras e a adoração. Uma pessoa que alcançava um patamar elevado nestes três pontos podia (e normalmente era) ser considerada como “boa” e “justa”. Esta pessoa conheceria a Lei, aplicaria a Lei (ainda que não num todo, perfeitamente), e adoraria ao Senhor como a Lei ensinava.

Com isto em mente, anseio por trazer uma leve pergunta à tona: e nós?

Assim o faço por questionar, diariamente, o meu modo de viver. Tenho, cada vez mais, conhecido a Palavra de Deus? Tenho buscado ao Senhor através do que Ele já nos falou? O Fruto do Espírito é presente no meu dia a dia? Será que meus vizinhos conseguem me ver como alguém diferente, que tem um “tempero” especial? E Deus, será que Ele se agrada de minha adoração? Será que consigo alcançar o trono da graça com minhas orações e súplicas? Será que meu louvor é verdadeiramente direcionado ao Senhor, e não a uma “versão divina” de mim mesmo?

Precisamos nos aplicar a estes três pontos apresentados, ainda que de forma análoga no inicial (quanto à Torá). Necessitamos conhecer mais as Sagradas Escrituras. Há um provérbio judaico que afirma: “dê a seu filho raízes. Mais tarde, asas”. Se conhecermos mais da Palavra do Senhor, teremos uma fé mais sólida, um escudo mais apropriado. Só conseguiremos asas para voar à compreensões mais profundas se, agora, ousarmos cravar as solas de nossos corações na Palavra e dela retirarmos o nosso sustento.

Porém, o “apenas” conhecer a Palavra não basta. O homem sensato, segundo Jesus, é aquele que ouve os seus mandamentos e os coloca em prática (Mt 7.24). Nisto temos o segundo ponto - as boas obras. Uma Fé sem obras é morta (Tg 2.17). Precisamos estabelecer algumas prioridades. Existe uma vertente atual que prioriza o “poder”, a “unção” ante o Fruto do Espírito. A Igreja de Cristo nunca foi, não é, e nunca será conhecida pelo seu poder, pela sua capacidade. O próprio Mestre nos afirma que as pessoas olharão para cada um de nós e saberão que somos seus discípulos quando “nos amarmos uns aos outros” (Jo 13.35). O apóstolo Paulo, ainda, após narrar uma lista de dons espirituais (1Co 12), mostra o que deve motivar a busca por tais dádivas é o amor (1Co 13.1-13). Precisamos praticar a Palavra e frutificar.

Ainda, sobre este tema principal apresentado no versículo 50, nos resta atentarmos à nossa adoração. Não podemos adorar ao Senhor como bem desejarmos. Paulo nos afirma que devemos entregar a Deus um sacrifício vivo, santo e agradável a Ele (Rm 12.1). Com isto, temos que não podemos utilizar de métodos carnais na adoração ao Senhor, aja vista a necessidade de santidade neste ato. Adorar ao Senhor não é somente no levantar das mãos, no entoar de louvores e cânticos, mas sim dedicar uma vida de serviço ao seu Reino. Adorar a Deus é agir de forma correta no nosso trabalhar, estudar, conversar, viver. Adoramos ao Senhor quando não furamos fila, quando somos educados com as pessoas, quando honramos o nome de Deus através de nossos testemunhos.

Outra lição que José, de Arimateia, nos ensina é que mesmo sendo membro do Sinédrio, ele não consentiu na decisão e na ação dos outros, de matar a Cristo. Mesmo estando em um meio corrompido, podre, ele não deixou-se influenciar e não tornou-se semelhante aos demais. Ele foi contra o pecado. Tal qual Ló, Daniel, Misael, Ananias, Azarias, e José, da cidade de Arimateia, não devemos nos contaminar com a podridão que nos é oferecida pelo mundo, devemos ser o diferencial. Isto nos custa muito nesta terra, normalmente, mas nos garante um peso em glória muito mais excelente.

Enquanto estudava sobre isto, deparei-me com a seguinte pergunta: “o que fazer, então, quando já me contaminei? O que fazer quando reparo que, assim como Isaías, vou perecer por ter lábios impuros e abitar no meio de um povo com impuros lábios (Is 6.5)?”

O segredo está exatamente nesta pergunta, neste ato: precisamos reconhecer quem somos, confessar o nosso pecado e clamar por perdão. Feito isto, cumprir-se-á em nós o que o serafim dos versículos 6 e 7 fala ao profeta messiânico, “tua iniquidade foi removida, e teu pecado foi apagado”. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7)!

Ainda, este homem nos ensina uma lição de esperança tamanha que, no versículo 51, Lucas nos aponta que ele “esperava o Reino de Deus”. José tinha certeza de que a maior promessa feita pelo Senhor, da Salvação, seria realizada - e ansiava por ela. Ele não esperava por bênçãos terrenas, mas sim por Aquele que viria cumprindo todas as profecias, a Lei, e que salvaria o seu povo.

Devemos ter a ciência de fazer o mesmo. Em Mateus, no capítulo 6 e versículo 33, Cristo nos aponta uma riqueza sem igual, “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. É certo que nos preocupamos com nosso dia a dia, com o que vamos fazer no futuro, de onde arranjaremos dinheiro para pagar as contas, ou o que haverá na dispensa nas semanas seguintes, mas a promessa ainda é certa e válida: buscar primeiro o Reino dEle e a sua Justiça que “estas coisas” (o que comer, o que vestir) nos serão garantidas pelo Pai.

Uma das provas de que José mantinha acesa a chama dessa tão maravilhosa esperança é o que vemos nos versos que seguem. No versículo 52, ele vai até Pilatos e pede o corpo de Cristo. Ele não abandonou a esperança, mesmo quando Jesus encontrava-se morto, mesmo quando os discípulos haviam fugido, mesmo quando todos os sinais e as maravilhas pareceram ser apagados pela morte, até quando o Sol da Justiça pareceu ser tomado por um eterno eclipse, José foi até o Mestre.

Ainda, no versículo 53, Lucas narra que este mesmo homem, José, além de pedir o corpo de Cristo - colocando seu nome à prova, “desonra” aos olhos do Sinédrio - cuidou do corpo de Senhor. Ele teve a audácia de ir ao Cordeiro morto e, depois, de tratar das devidas honrarias. Ele manteve a esperança acesa, não apenas em um instante obscuro, mas por um tempo prolongado, em meio à diversas outras provações.

Por fim, o Evangelho nos narra que tudo isso fora feito na sexta-feira, no “dia da preparação” (v. 54). Este dia, segundo a história, é quando os judeus preparam-se para o sábado, quando realizam os afazeres necessários para que no “dia do Senhor” venham a guardar-se por completo. Em outras palavras, José gastou o tempo que tinha, sob a ótica da Lei de Moisés, para cuidar do sepultamento de Jesus. Quanto, de nosso tempo, temos dado ao Senhor?

Ficam estas palavras para meditação. Que venhamos a seguir o exemplo deste “homem bom e justo”, e que tenhamos uma vida à sombra do sacrifício de Cristo.

Daniel Kinchescki

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