culto Daivson

O CULTO EM 5,5”

20:01:00Saulo Brunello






Um dos fenômenos tecnológicos crescentes dessa década, sem dúvida são os smartphones, antes o que era um aparelho que servia apenas para receber e fazer ligações, enviar e receber mensagens de texto e quando muito uma foto de qualidade bastante duvidosa, serve hoje como agenda de compromissos, visualização de diversas contas de e-mail, chamadas em vídeos em tempo real, canal de informação atualizada, entrada direta a redes sociais, fotos (hoje sim) com qualidades que fazem câmeras digitais de alguns anos atrás passarem vergonha, gravação de filmes em full HD e outras diversas funções.

Sem dúvida são excelentes computadores portáteis que facilitam a minha vida e a de outras diversas pessoas.

Esse não é um texto para demonizar os smartphones, pois “toda boa dádiva vem do alto” (Tiago 1:17), e eu creio que realmente é. Pois esse pequeno aparato traz hoje grandes opções de bons usos, creio que Lutero gostaria muito de tê-lo para ajudá-lo em sua tradução das Escrituras, assim como Calvino poderia consultar diversos manuscritos com uma procura em tempo bem menor.

Eles não o tiveram, mais nós o temos. Podemos ler a Palavra de Deus na tradicional Almeida e Corrigida ou na Nova Versão Internacional em dois cliques, além de alguns irmãos terem acesso a versões como a Septuaginta e Vulgata, auxiliando muito em estudos e na melhor compreensão.

Mas o que fazer quando esse aparelho entra dentro de nossos cultos? Creio que não haja grandes problemas em leva-lo, eu mesmo o levo, mero costume, alguns usam dele para consultarem a Palavra, porém creio que não substitui o Santo Livro nem deverá substituir.

Porém o que me choca mais é ver um lugar onde nos reunimos em adoração, ficar tal como um espetáculo esportivo, ou um grande show musical, com muitos aparelhos levantados, utilizando de sua tecnologia para gravar vídeos em alta resolução, e tanto lá como cá, são vídeos que poucas vezes serão vistos, quase sempre com nenhuma função que não seja o entretenimento e A fixação em gravar partes de um Culto a Deus beira a vergonha, já que o exemplo parte de cima, do próprio altar.

Quando em muitos de nossos cultos estamos tendo um momento juntos de grande exaltação a Deus e plena comunhão, não demora muito para algum pastor ou ministro começar a gravar a cena e logo divulga-la com ares de exibicionismo nas redes sociais. Há outros ainda que fazem “chamadas ao vivo” de dentro do próprio culto, postadas no instagram e divulgando simultaneamente no facebook, chamando seus amigos virtuais não a irem cultuar a Deus, não a irem prestar honra e louvor ao Criador, não a humilhar-se debaixo da potente mão do Senhor, mas, sim a participar de uma grande festa ao ego, fazem o convite para receberem uma enxurrada de milagres, um convite ao grande banquete que Deus é apenas o garçom generoso, contando lógico com os 10% da taxa do garçom que podem ser entregues aos devidos pastores em questão.

É uma vergonha que nossos cultos cheguem a esse ponto, e é triste ver que alguns trocam o grande momento que Deus nos dá para experimentarmos da eternidade, em nossos corpos ainda corruptíveis, pois assim será no corpo da ressureição, um grande culto há Deus, com Cristo no centro do universo em comunhão plena com os irmãos.

Eles trocam a manifestação plena do Espirito Santo revelando a Cristo em sua igreja, por uma mera gravação em seus smartphones, que mais parece exaltar a qualidade de seus aparelhos e do deus da tecnologia, do que o conteúdo (que por muitas vezes nem pode ser chamado de um culto a Deus) que ele possui. Trocaram uma experiência da eternidade, por alguns minutos de vídeo, alguns mb de espaço na memória do celular, por algo que é “como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. ” (Tiago 4:14)


Daivson Barbosa

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